É engraçado, tantos ditos "ateus" nos dias de hoje festejarem a passagem de ano quando terminamos o ano por razões estritamente religiosas. Ve-se milhares de pessoas a festejar, mas o verdadeiro significado do fim de ano, tanto o cristão como o pagão perdeu-se totalmente. Acaba toda a gente por festejar, por festejar! Para terem mais uma razão para sair á rua e apanhar uma bebedeira. Mas ninguem faz ideia do porquê de festejarmos exactamente uma semana depois do Natal, e pensar que tudo se deve a uma crença religiosa cristã que decidiu que o fim do ano deveria ser no dia da circumcisão de cristo, ou seja conforme o costume judaico, exactamente uma semana depois do nascimento da criança. Ou seja, supondo o nascimento de cristo no dia 25 de Dezembro, que é por si uma data extremamente duvidosa terminando o ano no dia da sua suposta circumcisão. Por isso, o nosso calendário se denomina o da circumcisão.
Mas ninguem se preocupa com isso, o que importa é festejar e beber a noite toda. E fazem bem. Festejando num caos controlado o fim do ano, como acontecia na antiguidade dita pagã. Onde o fim do ano era sinónimo de um total caos estabelecido na sociedade, especialmente na antiga mesopotamia onde o fim do ano era visto como o fim do mundo. Por esta razão instalava-se o mais completo caos. Durante dez dias não havia ordem nas ruas, os escravos tornavam-se senhores, os senhores tornavam-se escravos, morte, sexo, roubo tudo se misturava numa decadente utopia. Era um festejo final antes do próprio fim. Para assegurar que um novo ano se seguria ao ano que terminava, todos os anos no ultimo dia do ano o rei subia ao templo principal da cidade, o Zigurate, uma enorme estrutura de sete andares que conhecemos vulgarmente como torre de Babel. Era uma autentica procissão, que todo o povo observava esperando o novo ano. Chegado ao topo, o rei faria amor com a matriarca do templo perante toda a população renovando assim o novo ano. Para nós estes costumes são estranhos e sem sentido, mas na realidade mais simbolismo que o presente neste ritual é impossível de observar.
Analisemos então este ritual. Se tivermos em conta que o ano na antiguidade terminava no fim do Inverno, entendemos então desde já a ideia por de trás da renovação do ano, ou seja está intrissecamente associada ao inicio da Primavera e ao despolotar de toda a vida caracteristica desta estação. Percebemos assim como os duros e frios dias de Inverno se reflectem na crença de um fim próximo anual, logo se justifica os dias de caos antes do fim. O ritual de renovação do ano representa em si a criação da vida na terra para o inicio do novo ano. Neste caso, simbolizando o rei e a matriarca dois deuses consumando o seu amor e criando assim a vida. Assim, o novo ano era entendido como o inicio do periodo fértil, ou seja, o começo das actividades agricolas.
Engraçado como 5000 anos depois nos esquecemos totalmente do simbolismo que tem o evento do fim do ano. Nem sequer o fim de ano cristão muita gente sabe. Apenas saimos nesta noite festejando como se não houvesse amanhã, o que é interessante, pois de facto sabemos que o amanhã é garantido, mas mesmo assim festejamos como se fosse o ultimo dia na terra, dando indirectamente o mesmo simbolismo que os antigos sumérios davam ao fim do ano sem nunca entendermos realmente que estamos a celebrar como se celebrava há milhares de anos atrás.
1 comentário:
Muito fixe. Olha tb não sabia disto, mas estas coisas nunca são por acaso, não é verdade? Abraço.
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